Caso Mumbucão chega à Câmara e vereador pede abertura de CPI em Maricá

O caso envolvendo movimentações do Programa Mumbucão deixou de provocar questionamentos apenas fora do Legislativo e chegou oficialmente à Câmara Municipal de Maricá.

Depois de o prefeito Washington Quaquá afirmar que determinaria uma investigação sobre movimentações do programa em pet shops ligados ao ex-prefeito Fabiano Horta, o vereador Netuno apresentou um requerimento solicitando a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

A proposta poderá criar uma nova frente de apuração sobre o caso.

O objetivo é investigar a execução e a fiscalização do Mumbucão, além de compreender como os recursos vinculados ao programa foram movimentados nos estabelecimentos participantes.

CASO GANHA NOVA DIMENSÃO

A chegada do assunto à Câmara muda a dimensão política do episódio.

Até então, uma das principais manifestações institucionais havia partido do próprio prefeito Washington Quaquá, que anunciou que determinaria uma investigação.

Com o requerimento de Netuno, vereadores também poderão ser chamados a decidir se consideram necessária uma investigação parlamentar.

Para isso acontecer, entretanto, o documento ainda precisa alcançar o número mínimo de assinaturas necessário.

Somente depois do cumprimento dos requisitos poderá ocorrer o avanço para instalação da comissão.

CINCO VEREADORES E 120 DIAS

De acordo com a proposta, a CPI seria composta por cinco vereadores e teria inicialmente 120 dias para desenvolver os trabalhos.

O escopo apresentado é amplo.

Os parlamentares poderão investigar desde os critérios utilizados para credenciar estabelecimentos até os valores movimentados individualmente pelas empresas.

A possível concentração de compras em determinados locais também está entre os temas que podem ser analisados.

Outro ponto previsto é a verificação de possíveis vínculos societários ou políticos.

O objetivo será descobrir se eventuais relações tiveram alguma influência na execução do programa.

FAVORECIMENTO SERÁ INVESTIGADO, NÃO É FATO COMPROVADO

O requerimento inclui ainda a possibilidade de apuração sobre eventual direcionamento ou favorecimento.

Isso não significa que o documento esteja comprovando a existência dessas práticas.

Pelo contrário: o próprio texto ressalta que uma movimentação elevada registrada por determinado estabelecimento não é suficiente, por si só, para demonstrar irregularidade.

Essa ressalva é particularmente importante diante da repercussão política do caso.

Será necessário entender a origem das operações e como funcionava a liberdade dos beneficiários para escolher onde realizar suas compras.

Somente a análise conjunta dessas informações poderá permitir uma avaliação adequada sobre eventuais diferenças entre os estabelecimentos.

PET SHOPS LIGADOS A FABIANO HORTA

A discussão ganhou força após questionamentos sobre movimentações registradas em estabelecimentos ligados ao ex-prefeito Fabiano Horta.

Foi nesse contexto que Washington Quaquá afirmou que determinaria uma investigação.

Agora, a Câmara poderá decidir se também pretende aprofundar a apuração por meio de uma CPI.

A comissão, caso seja criada, poderá solicitar dados que permitam comparar as empresas participantes e compreender como os recursos circularam dentro do programa.

PRÓXIMO CAPÍTULO SERÁ NA CÂMARA

O caso, portanto, ainda está em uma fase inicial no Legislativo.

Não existe, neste momento, conclusão de uma CPI sobre irregularidades. O que existe é um pedido para que a comissão seja criada e investigue as questões levantadas.

Agora, as atenções se voltam para os demais vereadores.

Se o requerimento alcançar o apoio necessário, o caso Mumbucão poderá entrar em uma nova etapa, com prazo inicial de quatro meses de investigação parlamentar.

Depois do anúncio feito por Quaquá, a pergunta agora é outra: a Câmara de Maricá dará as assinaturas necessárias para abrir a CPI?

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