
Valores atribuídos a estabelecimentos ligados ao ex-prefeito Fabiano Horta levantam questionamentos; Quaquá afirma que caso será investigado
Quanto dinheiro do Mumbucão foi movimentado nos estabelecimentos ligados ao ex-prefeito Fabiano Horta e, principalmente, de que maneira esses recursos chegaram aos respectivos comércios?
Essa é uma das principais questões que cercam a polêmica que ganhou força em Maricá nos últimos dias e levou o prefeito Washington Quaquá a anunciar uma investigação.
O assunto ganhou repercussão depois que áudios, imagens e uma tabela contendo valores atribuídos a estabelecimentos comerciais começaram a circular em grupos de WhatsApp e nas redes sociais.
Entre os estabelecimentos apontados no material aparecem negócios do setor de produtos veterinários associados ao ex-prefeito Fabiano Horta.
A repercussão rapidamente transformou os números em combustível para questionamentos políticos.
Entretanto, compreender o caminho percorrido pelo dinheiro é essencial antes de atribuir qualquer irregularidade.
DINHEIRO NÃO VAI NECESSARIAMENTE DA PREFEITURA DIRETAMENTE PARA A LOJA
Um dos principais pontos levantados pela reportagem do Maricá Info é justamente a diferença entre um pagamento realizado diretamente pela administração municipal e uma compra efetuada por um beneficiário utilizando a Moeda Social Mumbuca.
O Mumbucão é destinado a pessoas responsáveis pela proteção e adoção de cães e gatos.
O cidadão recebe o benefício e utiliza o saldo para adquirir produtos relacionados aos cuidados com os animais em estabelecimentos credenciados.
Assim, o dinheiro pode terminar no caixa de determinado comércio porque centenas ou milhares de beneficiários escolheram comprar naquele estabelecimento.
Isso é diferente de a Prefeitura contratar diretamente aquela empresa.
A diferença pode parecer pequena, mas é decisiva para a interpretação dos números que circulam atualmente.
POR QUE OS VALORES CHAMARAM ATENÇÃO?
O ponto que levou o caso para além de uma simples discussão sobre o funcionamento da moeda social foi a ligação de estabelecimentos citados com Fabiano Horta.
O ex-prefeito administrou Maricá durante oito anos e também possui atuação profissional relacionada ao setor veterinário.
Foi durante sua administração que o Mumbucão passou a integrar as políticas municipais voltadas à proteção animal.
Por isso, a presença de empresas associadas ao ex-prefeito entre os estabelecimentos que teriam registrado movimentações relevantes naturalmente provocou questionamentos.
Mas questionamento não é sinônimo de comprovação.
Para saber se ocorreu alguma irregularidade será necessário reconstruir detalhadamente o funcionamento do programa e das transações.
O QUE PRECISA SER INVESTIGADO
Uma apuração consistente deverá ir além dos valores totais atribuídos às empresas.
Será necessário saber quantos estabelecimentos estavam habilitados a receber a Moeda Social Mumbuca no período analisado.
Também será importante identificar quantos beneficiários realizaram compras em cada comércio e qual era o valor médio das operações.
Outro elemento relevante é a distribuição geográfica.
Um estabelecimento com diversas unidades, por exemplo, pode naturalmente concentrar uma parcela maior das vendas se estiver presente em regiões com grande quantidade de beneficiários.
Por outro lado, uma eventual concentração muito acima da participação da empresa na rede poderia justificar uma análise mais aprofundada.
Também deverá ser verificado se todos os estabelecimentos seguiram os mesmos critérios de credenciamento.
DOCUMENTOS PODEM MUDAR O RUMO DO CASO
Neste momento, boa parte da repercussão ocorre a partir de tabelas e informações compartilhadas fora de seu contexto original.
A divulgação da documentação completa pode mudar significativamente a interpretação do episódio.
Se os números representarem exclusivamente compras individuais realizadas por beneficiários, será necessário compreender por que determinadas empresas concentraram parte dessas operações.
Caso exista outro mecanismo de transferência ou contratação, ele também deverá ser demonstrado documentalmente.
É justamente por isso que a investigação anunciada por Washington Quaquá assume importância.
QUAQUÁ COLOCA CASO SOB INVESTIGAÇÃO
Ao afirmar que determinará uma investigação, o prefeito transforma uma discussão que estava principalmente nas redes sociais em uma questão que poderá ser analisada formalmente pelo poder público.
A partir daí, a expectativa passa a ser pela apresentação de dados verificáveis.
Uma apuração poderá mostrar o valor total destinado ao Mumbucão durante o período, quanto foi efetivamente utilizado pelos beneficiários e quanto foi movimentado em cada estabelecimento.
Também poderá demonstrar se existia alguma relação administrativa entre as empresas e a gestão municipal além do simples credenciamento para aceitar a moeda social.
POPULAÇÃO AGUARDA RESPOSTAS
Programas sociais movimentam recursos públicos e, justamente por isso, precisam estar submetidos a mecanismos de transparência e fiscalização.
Ao mesmo tempo, acusações envolvendo pessoas ou empresas precisam estar sustentadas por provas.
No caso do Mumbucão, as duas necessidades caminham juntas.
A população tem o direito de conhecer o destino dos recursos e compreender como o programa funcionava.
Da mesma forma, a investigação deverá diferenciar aquilo que é efetivamente uma operação do poder público daquilo que corresponde à decisão individual dos beneficiários sobre onde gastar seu benefício.
Até que os documentos sejam analisados, permanece aberta a principal questão do caso:
o que exatamente representam os valores atribuídos aos pet shops ligados a Fabiano Horta?
A resposta deverá ser um dos pontos centrais da investigação anunciada por Washington Quaquá.


